Simone Beatriz – Perserverança

Já faz um tempinho que não falamos de brasileiros, né? Então vamos falar de uma com um traço Mara! Alias, foi graças a ela que eu descobri que sim, existem brasileiros que podem desenhar tão bem quanto os gringos.

Foi no longínquo ano de 2002 (caralho, dez anos!) que eu encontrei na banca o mangá Oiran, da natimorta editora Hant. Foi um susto para mim descobrir que aquela obra BELÍSSIMA era feita por brasileiros, ou melhor, brasileiras: o Studio Seasons – mais especificamente Montserrat no roteiro (que era um roteiro BEM superior às porcarias que a maioria dos tupiniquis fazem em quadrinhos) e Simone Beatriz na arte. E que arte!

Infelizmente por causa da merda que é o sistema editorial brasileiro a revista morreu na primeira edição, mesmo depois de ter vendido bem. E até hoje muitos fãs (como eu) esperam que a obra volte a vida. E talvez realmente volte agora, com as senhoras do Studio Seasons trabalhando para a editora New Pop.

Veja abaixo algumas artes belíssimas de Oiran e confiram o site oficial das senhoras ==> http://www.studio.seasons.nom.br/  infelizmente elas demoram MUITO para atualizar, mas tudo bem! De pouquinho e pouquinho se vai longe, como a perspectiva de Oiran, ENFIM, sair completo depois de mais de dez anos! E valerá a pena!

…e abaixo uma amostra da belíssima adaptação do romance Helena, de Machado de Assis, pela moça. Para mostrar que mangá não é só samurai.

13 comentários em “Simone Beatriz – Perserverança

  1. Gosto dos trabalhos e da identidade visual dos trabalhos do Studio Seasons. Além de admirar a persistência, pois já via trabalhos dessas meninas (hoje, mais para senhoras) desde o tempo em que eu era uma criança, em antologias como Mangá Boken e no Ouran que vc mesma citou.

    As lembranças que eu tenho do Studio Seasons são mais antigas do que 2002: no ainda mais distante ano de 1999, eles pularam fora de uma antologia de mangá logo no primeiro número, sem dar satisfações aos leitores e à editora da mesma. Depois, vi que o mesmo parece ter se repetido com o celeuma com a HQM…e comecei a matutar se o problema do artista nacional às vezes não seria o próprio artista nacional. Mas isso são outros quetais.

    Duas coisas me entristecem: novamente ver que 1-) Quadrinho nacional pra além de turma da mônica consiste atualmente só de adaptações de obras literárias e 2-) A triste escolha da obra, selecionada de uma fase literária que o próprio Machado de Assis renegou depois.

    No cenário literário, ela é irrelevante e Machado é um autor romântico medíocre. Porque não escolheram algo do Alencar, algo potente como “Senhora”? Ou melhor, porque não produziram algo próprio?

    Vemos mais do mesmo aqui: belos desenhos — a arte é irrepreensível — maquilando ideias de merda.

    • Jussara Gonzo disse:

      Ah, se tudo fosse tão simples como espremer um limão, não é?

      Sobre a HQM, posso dizer que elas estão isentas de culpa. Alias não só elas, mas as meninas que também fizeram mangás BL, nossa grande Cynthia, criadora do Leão Negro e o bom Danilo Beyrute do Necronauta.

      Sobre “falta de criações próprias”… uau! Estou vendo que você convenientemente fechou completamente os olhos para aquilo que não lhe dizia respeito apenas para endossar um argumento amargo, não é? Precisa de exemplos? Não, creio que não.

      E finalmente, sobre Machado de Assis… amigo, estude mais literatura. Vai te fazer bem.

      See yah!

      • Jussara:

        Realmente, o que sei sobre a HQM é um boato, mas quando se ouve histórias como essas mais de uma vez, dirigidas ao mesmo grupo, é de se questionar sim. A publicação antiga a que me referia era uma antologia de mangá bem similar à Ação Magazine, que o studio seasons participava com 2 ou 3 séries. No segundo número as meninas sumiram, gerando um editorial bem inflamado do editor, expondo os “podres” e a “falta de profissionalismo” do grupo. Bem instrutivo.

        No que concerne à falta de criações próprias, não me referi especificamente ao Studio Seasons: o que vemos é uma profusão de adaptações literárias de histórias em quadrinhos: quantas dessas já não foram lançadas até hoje? Infelizmente são obras menores, derivadas, uma leitura/interpretação de segunda mão da obra original. Talvez os desenhos até sejam bonitos mas…se alguém busca uma boa leitura, vai beber diretamente da fonte. Este tipo de quadrinho visa principalmente: a pessoa que que não teve nenhum contato com a obra (e é reprovável, pq pode furtar à leitura da obra original) ou entusiastas da linguagem das histórias em quadrinhos (e eu, como pertencente a este grupo,, ficaria muito mais feliz e notaria muito mais o talento depreendido quando as criações são originais, e não pastiches).

        Por fim, quanto à sua provocação do final, sou eu que deveria te dar este conselho. É consenso geral entre os estudiosos de literatura que, embora um bom escritor de romances românticos, o “verdadeiro” Machado, em toda a sua verve, existe apenas a partir de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Seus romances românticos já eram meio “deslocados” quando em comparação com os grandes expoentes do romantismo, como Alencar. Para você começar o seu estudo, sugiro que procure pelos livros de Roberto Schwarz, “Um mestre na periferia do capitalismo” e “Ao vencedor, as batatas” (especialmente o primeiro capítulo, “as ideias fora de lugar”). Trata-se do maior estudioso de Machado conhecido (embora haja controvérsias aqui e ali que se dão mais à picuinhas do mundo acadêmico…), e ele repete e desenvolve essa afirmação que eu te dou aqui, coisa que não fiz pq não dá pra fazer isso no espaço de um comentário de blog.

  2. Jussara Gonzo disse:

    Não duvido que o Studio Seasons tenha dado algumas mancadas editoriais, por isso o único caso que posso comentar é o da HQM. E o que importa agora é o presente, não o passado.

    Em todo o mundo existe um grande número de obras literárias adaptadas – boas e má adaptações. Bem ou mal, é uma forma de chamar a atenção do brasileiro para os quadrinhos.

    Ah! Estudiosos da Literatura! Acabrunhadas almas estudiosas que conhecem a literatura brasileira mais por livros teóricos do que nos livros escritos propriamente ditos! Que engrandecem exageradamente pastiches como José de Alencar por motivos nacionalistas antiquados da mesma forma que o superetimado mito de Tiradentes!

    Concordo que Machado só se tornou o grande escritor depois de sua Magnum Opus, mas e daí? Helena não é um livro bom o suficiente para ser lido? Devemos esquece-lo? Queimá-lo, talvez?

    Este é o problema da literatura no país e o motivo porque ela não crescem: vocês, distintos estudiosos, “quotadores” e tudo o mais estão presos até hoje no século retrasado. Falem mal de Paulo Coelho à vontade! Ele MERECE todas as críticas que lhe são dirigidas, mas conseguiu algo que pouquíssimos escritores brasileiros conseguiram: ser popular.

    Hoje a literatura nacional é um brinquedo caro que só ‘especialistas” entendem. Nada de meter o “povinho” e sua ignorância no meio deste grupo. Eles não merecem.

  3. Opa, opa, cuidado com as suas inferências, que assim você me ofende…

    Você tem uma visão distorcida. Sequer mencionei Paulo Coelho! E a obra que sugeri que você lesse antes te fornece um contexto histórico da época — nada nasce “ex nihilo” — e ler estes “livros teóricos” só nos ajuda a enriquecer a leitura de uma literatura que já é tão distante de nós no tempo.

    Paulo Coelho é popular sim, do mesmo modo que José de Alencar e Machado de Assis foram em seu tempo. Note que também não estou engrandecendo José de Alencar: estou falando da habilidade dele como artista de um período estético específico da literatura, o romantismo – a despeito de o romantismo ser uma estética “boa”, “ruim” “antiquada”. Meu juízo de valor é quanto ao estilo, não quanto ao conteúdo das tais obras.

    E assim como não devemos esquecer “Helena”, também não devemos nos esquecer de todas essas outras obras do “século retrasado”. Mas se o interesse é literário, de fato, Helena é insignificante. Só interessa por ser de “Machado de Assis”, mas ainda era um Machado bem diferente do Machado cruel, terrível, e verdadeiramente saboroso que conhecemos.

    A literatura não vai pra frente, na verdade, porque o povo é ignorante. Para pessoas como você, Paulo Coelho e Literatura são sinônimos, mas ele é apenas o literato de maior visibilidade hoje, é o que você conhece. Autores contemporâneos como Ronaldo Corrêa de Brito, Fernando Paixão, Luiz Ruffato e tantos outros passam solenemente ignorados, porque não tem espaço na grande mídia como P.C.

    Mas para um povo que não gosta de ler nem de questionar, de procurar por si mesmos, a auto ajuda travestida de literatura que Paulo Coelho oferece já está de bom tamanho.

    E adaptações de Machado de Assis em histórias em quadrinhos.

  4. (ignorante no sentido que “desconhece”, “ignora”, deixando claro, apenas.)

  5. ah! e é legal tb essa concepção de que cometer mancadas no passado, deixá-las lá sem explicação, e ficar por isso mesmo isenta o grupo no presente. Como na época o Studio Seasons não deu nenhuma versão do acontecido, imagino que a editora da arqueológica revistinha estava certa. E fica aí um exemplo da falta de profissionalismo do autor nacional, esse eterno amador.

  6. Jussara Gonzo disse:

    Falei dos “estudiosos de literatura” num contexto geral. Caso tenha se identificado e se ofendido, o que posso fazer?

    Literatura, para mim, é algo que PRECISA do público. Quer dizer… vamos escrever livros super inteligentes e complicados para ninguém entender? E talvez forçar estes livros goela abaixo de adolescentes que só vão pegar ainda MAIS raiva pela leitura?

    Claro que podemos escrever livros super inteligentes, mas o problema é que parece que o Brasil quer PULAR esta etapa: todos os países do mundo possuem a sua boa somatória de “literatura barata e popular” Ninguém aprende a ler num livro de Camões. Meu primeiro livro, aos 7 anos, foi “O Caso da Borboleta Atíria’ um livro bem ruizinho lido hoje, mas foi ele que me incentivou a ler. Isso foi errado?

    Hmmm, se você acredita que mancadas passadas nunca deem ser perdoadas, então imagino que todos os autores de quadrinhos/livros do MUNDO devem ser levados à uma Comissão da Verdade. Não existe ninguém neste mundo que não cometa tropeços na sua prifissão – sobretudo quando se está começando.

    No seu parecer, pessoas jamais amadurecem e aprendem. Cometeu um erro: acabou! Será “amador” para sempre.

  7. Talvez você tenha falado mesmo em um contexto geral, mas a sua exclamação me levou a pensar que você me colocou nesse mesmo balaio aí.

    O Brasil quer pular a etapa da literatura popular? O que é então a literatura de cordel, tão popular no Nordeste, livrinhos como as da coleção vagalume que formaram leitores como vc…Embora haja uma diferença entre o que é “bestseller” — livros escritos quase em linha de produção, com suas fórmulas próprias — e a obra literária, que se projeta para além da sua imediatez, e depende do ato de sempre reler, o problema é o brasileiro que não gosta de ler mesmo. O problema é que livros são abusivamente caros num país como o nosso. O problema é a estrutura precária das nossas escolas (Enfiar goela abaixo dos adolescentes coisas como “Memórias póstumas de Brás Cubas” é, por exemplo, um crime! Li aos 14, mas só fui entender toda a crueldade e ironia daquele mundo depois dos 20…e até hoje ainda me surpreendo).

    O problema, assim sendo, não é do autor que quer escrever “livros super inteligentes”. O problema é da própria formação cultural do brasileiro, que diz que este ou aquele livro é “complicado demais”.

    E note: não falei de “mancadas” nem de “tropeços”. Mancada e tropeço você comete por inexperiência. O caso a que eu me referi foi diferente. infelizmente.

    Do tipo que eu nunca vi NENHUM autor cometer — Um autor publicar os primeiros capitulos de sua série e depois sumir sem dar satisfações — já viu isso?

  8. Jussara Gonzo disse:

    O Brasil precisa de bestsellers – mesmo que sejam ruins. (alias quase todo bestseller é literatura, no máximo, mediana. George Martim e Agatha Christie são ótimos autores, mas estão longe de serem excelentes…)

    De novo esta história? A menos que você realmente seja da tal editora “lesada” pelo Studio Seasons (é o que está parecendo, já que toca tanto neste ponto), este assunto acaba aqui. Nem eu e nem você podemos declarar mais nada, pois na melhor das hipóteses o que sabemos foi boatos – de um lado e do outro.

    Oh. Interessante todas as suas reclamações sobre “brasileiro não gosta de ler” e “livro é caro” e tudo o mais. Soa como os quadrinistas brasileiros que você criticou tanto…

    • E eu não nego que o Brasil precisa de bestsellers. Só estabeleci uma comparação entre o que é bestseller e o que não é.

      Não sou da editora lesada, mas acho interessante trazer à tona historinhas como estas da HQM e da antiga revista. Elas não rolam por acaso; como já disse alguém: enquanto fatos podem confundir, rumores, verdadeiros ou falsos, são reveladores…

      Quanto à minha “reclamação”, se te soou assim é novamente porque você não sabe do que está falando. Se você pensar e pesquisar vai ver que não é bem uma reclamação. Você acha MESMO que livro no Brasil é barato? Vá em qualquer site lá fora e compare. Vá em catálogos de grandes livrarias e veja que o livro original às vezes sai mais barato que a sua versão nacional traduzida. Compre lá fora e compare.

      E se livros são tão caros, é porque a demanda é baixa. E se a demanda é baixa…é porque ninguém lê. O brasileiro lê poucos livros – não só em comparação com países como a França (cuja realidade é outra…) mas mesmo em relação a outros que estão aqui do lado, como a Argentina. E se lê, é coisa de baixa qualidade, que não forma leitores e já carrega em si algo de utilitário: são livros de auto ajuda, Paulo Coelho (que é quase auto-ajuda) e coisas do gênero.

      E, embora sejam realmente interessantes, é de se notar que George Martin, Tolkien e outros só são lidos porque tiveram o amparo de suas respectivas versões cinematográficas. “As crônicas do gelo e fogo” é de 1996, mas só começou a ser conhecido e falado por aqui a partir do ano passado mais ou menos. O mesmo vale para Tolkien…e outros casos como a série do John Carter, da década de 30, que teve seu primeiro lançamento apenas depois daquele desastroso filme.

      Há literatura de boa qualidade sim, sendo produzida no Brasil — o problema é formativo. Basta você sair do seu mundo de Paulos Coelhos e daquilo que a TV demanda que você leia, procurar, pesquisar. Quanto a quadrinhos — que por si só, já não tem um público tão vasto quanto (deveria ter) a literatura (eles são um aspecto desta), o que temos? a iniciativa brasileira em quadrinhos populares é uma piada: Ação Magazine, Vitral, “Turma da Luluzinha jovem” (se é que isso ainda existe). E…e…hã, acho q não tem mais nenhuma.

      Se há alguma coisa no quadrinho nacional popular que salva, é Maurício de Sousa, cuja equipe não se recusa a tentar coisas diferentes quando as linhas principais já não vão também – vide o caso “Turma da Mônica jovem” (bem ou mal uma iniciativa q trouxe novos leitores).

      Diferente das senhoras que vão ficar a vida toda produzindo shoujos que ninguém vai ler.

      Abraços!

      • Jussara Gonzo disse:

        Senhor Casto – seus comentários já estão terrívelmente repetitivos e distorcidos (quando eu disse que livros no Brasle eram baratos ou que o brasileiro lê muito?)

        Chega desta conversa inútil, cujo azedume não levará à lugar nenhum.

  9. The Fool disse:

    *Tosse* Com licença, mas apenas uma correção.
    O debut do Seasons foi com a Revista Mangá Booken, editada por Eddie Van Feu, onde foi citado o caso delas terem saído no número 2 da revista.
    Não foram comentados os porquês, mas me lembro de uma Eddie falando algo no editorial da revista a dificuldade de lidar com autores nacionais.
    A segunda investida foi com a Hant Editora, mas de novo, os mangás não venderam, a despeito do que possa ser dito. Se tivessem vendido, talvez a editora não tivesse fechado.
    Mas enfim, acompanho o trabalho do Seasons desde sempre, não sei elas vão ter êxito dessa vez, mas elas estão tentando e isso é bom.

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