Shawn Barber – Sangue e Tinta

Não é incomum tatuadores almejarem serem ilustradores ou pintores. Só que o lance é que, por mais estranho que possa parecer, nem todo tatuador sabe desenhar. Eles se limitam em copiar desenhos alheios e transferi-los para a pele dos seus clientes. Quando precisam fazer um rabisquinho por si sós num papel… aí ferrô!

Felizmente os melhores tatuadores SABEM todos desenhar! Existem até aqueles que se recusam a tatuar desenhos de outros, só passando  para as peles criações suas. Estes tatuadores, muitas vezes, dividem seu trampo fazendo ilustras, quadrinhos e pinturas – a grande maioria deles só como um hobbie. Porém existem aqueles que, com o tempo, acabam se tornando ilustradores.

Mas Shawn Barber foi o contrário: um pintor que se tornou tatuador. Seus temas sempre rodavam em temas da juventude moderna e alternativa, de modo que tatuagens eram comuns nos seus personagens. Com o tempo ele passou a pintar só sobre tatuados. E, por fim, pegou ele mesmo a maquininha e mandou ver! Abaixo segue suas pinceladas em telas.

Tracy J. Butler – Mafiosos Fofinhos

Poucas artistas têm um trabalho tão “nhoooooooin” quando a dama Butler.

Tendo atuado como ilustradora de livros e designer de games, sempre almejou fazer histórias em quadrinhos – alias, como quase todo mundo que desenha. Seu trampo mais famoso é com uma linda webcomic autoral com gatinhos mafiosos! Chama-se Lackdaisy ==> http://www.lackadaisycats.com/ e tem ganho enorme popularidade desde que foi lançada, além de versões impressas nos Isteites e na Itália – quem diria!

Aprecie algumas artes desta pérola! E não se esqueça de conferir as historinhas também! (ah, abaixo tem duas ilustrações que incluem as versões “humanas” do personagens)

Juanjo Guarnido – Arte Animal

O espanhol Juanjo Guarnido já trabalhou nos estúdios Disney – e fico a imaginar se este passado foi o verdadeiro motivo pelo qual ele foi escolhido para desenhar a ótima BD Blacksad. A história se passa nos Estados Unidos da década de 50, onde o personagem título é nada menos do que… um gato preto detetive!

História feita com animais antropomórficos, mas extremamente realista. Transita em temas diversos daquela época, como o preconceito racial, o holocausto atômico, os comunistas e outros assuntos. Os dois primeiros álbuns foram publicados aqui pela Panini e eu queria saber por que estes cuzões ainda não publicaram os outros dois!

Enquanto isso vamos apreciando a arte do cara.

 

 

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Dongzi Liu – Macaco do Leste

Um dos desenhadores chineses que eu mais gosto.

Mestre Dongzi Liu (conhecido pela sua alcunha “East Monkey”) é um punheteiro desgraçado que faz suas pranchas à lápis com um primor inacreditável! Não apenas isso, o maluco colore seus trampos com uma leveza e realismo impressionantes, alternando entre o método analógico e o digital.

Seu melhor trabalho é a atual parceria que ele faz com o outro grande mestre Alejandro Jodorowsky na BD Sangue Real. Uma sacrilégia aventura de fantasia medieval que, embora seja pontuada por um cem número de clichês do genero reis-e-rainhas-em-busca-do-trono, é genial! Suas ilustras de macacos (um tema que ele gosta muito de explorar) também são muito boas.

Você pode conferir artes do cara na sua galeria http://eastmonkey.deviantart.com/ e uma pequena amostra logo abaixo!

Jiraiya – Bara Art

Uma coisa muito legal nos quadrinhos do Japão é que eles possuem uma vasta gama de gêneros diferentes – todos muito bem comercialmente dentro do seu nicho. Temos os Kodomo (quadrinhos para crianças, tipo Pokemon), Shonen (para garotos, tipo Cavaleiros do Zodíaco), os Shojo (para meninas, tipo Sailor Moon), Seinen (para homens adultos) e Josei (para mulheres adultas). De estilos de história temos Mecha (robôs), Maho Shojo/Shonen (meninas/meninos com poderes mágicos, tipo Sailor Moon/Cavaleiros do Zodíaco), School Life (à grosso modo, uma Malhação da vida), Sci-Fi (já sabe, né?), Esportes (mangás sobre esportes, podendo ser futebol, basquete, baseball… até mahjong!), Drama, Mistério… vixi, a lista é longa!

E dentro destes nichos temos também mangás com temática homossexual. No caso de amor entre homens temos duas vertentes: Yaoi e Bara.

O que as difere? Bem, no caso Yaoi são histórias geralmente escritas por MULHERES HETEROSSEXUAIS (toda regra tem sua exceção, claro!) que mostram romances bonitinhos e idealizados entre dois meninos que parecem mais duas garotas. Praticamente um sonho de uma princesinha adolescente sem incluir ela própria. São histórias muitas vezes bastante irreais, adocicados e praticamente hetero – onde um dos “homens” realmente faz o papel de “menina”.

O Bara, por sua vez, são histórias de temática homossexual masculina escritas por HOMENS HOMOSSEXUAIS (as exceções devem ser bem poucas) que mostram romances mais realistas e o cotidiano verdadeiro do mundo gay. Há muito pouco romance idealizado, os argumentos são mais críveis e, acima de tudo, os homens desenhados nestes mangás PARECEM homens – e não mocinhas! Por isso que o Yaoi costuma ser desprezado pelos gays do Japão, que preferem ler as histórias Bara – que realmente mostram suas vidas como elas são.

E nosso amigo Jiraiya é um dos mestres deste estilo.

Obviamente este é seu pseudônimo. Foi criado na época em que ele ainda dividia seu tempo entre sua arte e seu tedioso trabalho como trabalhador de colarinho branco. Não que no Japão o preconceito contra homossexuais seja tão forte assim, mas porque o japonês médio tende a conservar sua vida pessoal para si mesmo – indiferente de ser gay ou hetero – motivo pelo qual a Parada Gay no Japão é bem pequena; não por repressão, mas simplesmente porque a galera lá no Velho Yamato é mais tímida mesmo.

Aos poucos ele foi se notobilizando pelos seus excelentes trabalhos. Seus homens são do tipo “Bear”, ursos grandalhões e peludos, mas todos com rostinhos amigáveis. Seu trabalho mai conhecido é como capista da G.Men, uma antiga revista para homossexuais do Japão. Mas ele também produz quadrinhos Bara.

E abaixo os trampos bem realistas dele como ilustrador – e dá para perceber por eles que outra coisa que ele curte muito desenhar são cachorros! Ou beeeeeetches!!!!

Clique para ve-los maior (OPS!)

Laprisamata – Além do Tudo

Hoje vamos falar do artista espanhol Luis Toledo Laprisamata, um dos defensores da chamada “arte visionária” – o estilo que pretende transcender o mundo físico com retratações de uma visão mais ampla da consciência e da experiencia humana.

Foda, né?

Mas mais foda ainda são as pirações do cara. Algumas são criações artísticas pessoais e outros são posteres fodidos para eventos diversos. Só vendo para… alias só ver não é suficiente! Você tem que, literalmente, mergulhar de cabeça nas pranchas do cara! E depois não se esqueçam de conferir um pouco mais de suas pirações no site dele ==> http://laprisamata.es/